Neila Guimarães

Debate da Band, falas sobre Lula e temor de rejeição afastam influenciador da campanha do senador

Neila Guimarães

22/10/2026 17:05

Divulgação
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) começou a se afastar de Pablo Marçal nesta semana, em meio a divergências sobre a estratégia eleitoral e receio de que a proximidade com o influenciador prejudique o desempenho do senador na disputa presidencial. Interlocutores do entorno do candidato avaliam que Marçal tem mais a ganhar com a associação entre os dois do que Flávio, que pode ampliar sua rejeição entre eleitores que não aprovam o ex-coach.
O desgaste se intensificou após o debate da Band, realizado no domingo (18/10). Marçal participou da preparação de Flávio para o confronto, e o próprio influenciador deixou claro que havia treinado o senador. A avaliação de pessoas próximas à campanha, porém, é que a performance do candidato ficou aquém do esperado e reproduziu características do estilo adotado por Marçal na disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2024.
A postura de Flávio durante o debate, marcada por provocações e movimentação pelo estúdio, foi considerada por interlocutores uma estratégia de risco. Na avaliação de parte do entorno, o desempenho pode não ajudar o senador a conquistar eleitores indecisos. A preocupação é que a estratégia de confronto, embora gere repercussão nas redes sociais, tenha efeito negativo entre quem espera uma postura mais presidencial do candidato.
Outro episódio que incomodou integrantes da campanha ocorreu em um encontro com influenciadores digitais. Na ocasião, Marçal orientou os participantes a não atacarem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A fala repercutiu na imprensa e provocou questionamentos sobre a estratégia do influenciador, sobretudo porque a campanha de Flávio tem adotado um discurso de oposição direta ao petista.
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A orientação foi interpretada como mais um sinal de que Marçal pretende imprimir sua própria estratégia à candidatura. Para pessoas do entorno de Flávio, a aproximação com o ex-coach pode criar contradições na comunicação do senador e dificultar a construção de uma imagem capaz de atrair eleitores para além da base bolsonarista.
A resistência também passa pelo histórico de Marçal com a família Bolsonaro. Integrantes do entorno do senador voltaram a resgatar declarações feitas pelo influenciador durante a campanha municipal de 2024, quando ele criticou Jair Bolsonaro e fez afirmações que desagradaram setores do bolsonarismo. O episódio alimenta a desconfiança sobre a aliança e reforça a avaliação de que a aproximação pode trazer mais custos do que benefícios para Flávio.
O afastamento foi percebido pelo próprio influenciador. Segundo interlocutores, Marçal sentiu a mudança de postura da campanha e ficou contrariado com a perda de espaço na preparação do candidato para o debate da TV Globo, marcado para sexta-feira (23/10). A tendência é que a equipe mais próxima de Flávio, incluindo o marqueteiro Duda Lima e o senador Rogério Marinho, tenha maior protagonismo na definição da estratégia para o confronto.
Além das divergências eleitorais, Marçal também ficou chateado após Flávio sinalizar que Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, poderia comandar o Ministério da Prosperidade em um eventual governo. O influenciador já havia manifestado publicamente interesse em assumir a pasta e participava da formulação da proposta.
A possibilidade de Daniella ocupar o posto foi mais um fator de desgaste na relação. A eventual nomeação de Marçal, por sua vez, também enfrenta resistência entre pessoas próximas ao senador. A avaliação é que entregar o ministério ao influenciador poderia somar a rejeição dos dois e afastar eleitores que apoiam Flávio, mas não aprovam Marçal.
Procurada, a assessoria de Pablo Marçal preferiu não comentar o assunto. A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos.


