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E se o metrô fosse construído sem ninguém ver?
Enquanto você caminha pela calçada, uma máquina gigante pode estar trabalhando bem debaixo dos seus pés. Entenda como isso é possível. ⬇️
Imagine uma máquina de 133 metros e 2.600 toneladas escavando sob o asfalto, enquanto carros, ônibus e pedestres seguem a rotina lá em cima. O tatuzão faz isso a dezenas de metros de profundidade, abrindo os túneis do Metrô de São Paulo sem exigir avenidas interditadas por meses. Cada metro escavado já sai revestido, e essa combinação muda a obra. Acompanhe o passo a passo e entenda como tudo acontece.
O que é o tatuzão e como ele trabalha no subsolo?
O tatuzão é o apelido brasileiro da TBM (Tunnel Boring Machine), uma tuneladora que escava o solo e monta o túnel ao mesmo tempo. Na frente, uma roda de corte giratória fragmenta a terra ou a rocha. Atrás dela, o conjunto de apoio, o backup, reúne transporte da terra, ventilação, câmara hiperbárica e instalação do revestimento.
As medidas da segunda tuneladora da Linha 2-Verde impressionam: 133 metros de comprimento, 11,67 metros de diâmetro e cerca de 2.600 toneladas. Batizada de Hebe Camargo, ela é do tipo Dual Mode, capaz de trabalhar tanto em solo quanto em rocha. A roda de corte sozinha tem a altura de um prédio de quatro andares.
A engenharia do tatuzão e a expansão da Linha 2-Verde - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Como a máquina escava e reveste o túnel ao mesmo tempo?
A roda de corte abre o caminho e, logo atrás, a máquina monta anéis de concreto que sustentam o túnel recém-aberto. Esses anéis são formados pelas aduelas, placas de concreto pré-moldado que chegam prontas e só precisam ser encaixadas.
Por isso, o revestimento definitivo nasce junto com a escavação, sem espera para o concreto curar. Para avançar, pistões hidráulicos se apoiam nos anéis já montados e empurram o gigante para a frente.
Cada peça da máquina cumpre uma função precisa. Juntas, elas formam uma linha de produção subterrânea.
- Roda de corte: fragmenta solo ou rocha na frente da escavação.
- Esteiras e transportadores: levam a terra escavada para fora do túnel.
- Montador de aduelas: posiciona os segmentos e fecha cada anel.
- Câmara hiperbárica: permite que equipes acessem a frente de corte sob pressão.
Quais são as etapas do avanço do tatuzão?
O avanço segue um ciclo de três etapas que se repete anel após anel. O resumo visual abaixo mostra o que acontece em cada fase.
⚙️ O ciclo do tatuzão em 3 etapas
⛏️ Cortar
A roda de corte gira e fragmenta o solo na frente da máquina. A terra escavada segue para fora do túnel.
🧱 Revestir
O montador posiciona as aduelas de concreto e fecha o anel que sustenta o túnel.
➡️ Avançar
Os pistões se apoiam no anel pronto e empurram a máquina. Em solo, o avanço chega a 15 metros por dia.
Fonte: Diário do Transporte, com dados do Metrô de São Paulo (março de 2026)
Em solo, a máquina pode avançar até 15 metros por dia, e em rocha, cerca de 10 metros. A Cora Coralina, tuneladora da Linha 2-Verde, bateu um recorde de 33 metros superados em um único dia. Cerca de 150 profissionais, distribuídos em três turnos, operam a nova máquina.
E as estações, como surgem tão fundo na cidade?
As estações costumam nascer de grandes escavações verticais, enquanto o tatuzão cuida do túnel entre elas. A máquina chega a estações já em obras: quando a Cora Coralina alcançou a futura estação Vila Formosa, o local tinha 49% das obras concluídas.
O encontro entre a máquina e a estação segue uma sequência clara. Acompanhe as quatro fases.
- A equipe abre o canteiro e escava a futura estação, como a da Penha.
- As peças da tuneladora chegam por terra e são montadas no próprio canteiro.
- A roda de corte começa a abrir o túnel rumo à estação seguinte.
- A máquina alcança o destino e a estação segue em construção.
Por que o tatuzão mudou a forma de fazer metrô?
Porque ele reúne escavação, remoção da terra e revestimento em uma única operação, o que reduz interdições e acelera o cronograma. Para quem passa pela rua, o metrô quase não aparece durante a obra e surge pronto, dezenas de metros abaixo. É essa discrição que transforma a máquina em símbolo da expansão do Metrô de São Paulo.
Da próxima vez que você atravessar uma avenida movimentada, lembre do tatuzão e conte nos comentários qual etapa mais surpreendeu você.


