Em uma disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), principais candidatos à Presidência da República no pleito deste ano, a participação do eleitorado ganha ainda mais peso na definição do próximo presidente do Brasil.A expectativa entre especialistas é que, assim como em 2022, as eleições deste ano ainda tenham alto índice de abstenção. Leia também BrasilEleições: PT vê indícios de ataques coordenados contra mulheres candidatas Distrito FederalEleições 2026: saiba como votar sem biometria cadastrada A ausência do eleitor nas cabines de votação pode ter impacto direto sobre o candidato eleito, já que a escolha é definida pelos votos efetivamente registrados nas urnas, e não pelo total de eleitores aptos. Assim, quanto maior a abstenção, menor tende a ser o universo de votos efetivamente considerados para definir o resultado.“O ponto central é quais segmentos da sociedade se se abstêm mais ou menos. Se a ausência fosse distribuída de maneira uniforme entre todos os segmentos do eleitorado, seu efeito sobre o resultado seria igual para todos os candidatos. A questão, todavia, é que a abstenção geralmente não é uniforme: determinados grupos sociais e regiões acabam apresentando taxas diferentes de comparecimento”, avalia o cientista político Leandro Gabiati.Em tese, isso significa que a composição dos eleitores que comparecem às urnas pode adquirir maior importância: grupos que apresentam maior disposição para votar acabam tendo maior peso relativo entre os votos contabilizados. Neste sentido, Gabiati reforça a esforço das campanhas em levar os eleitores às urnas.“Por isso, na última semana antes de cada turno, as campanhas não disputam votos, mas também precisam incentivar seus apoiadores para que compareçam às urnas”, pontua.Abstenções eleições presidenciais20181º Turno 20,3% – 29.941.171 eleitores2º Turno21,3% – 31.372.373 eleitores20221º Turno 20,9% – 32.770.982 eleitores2º Turno20,5% – 32.200.558 eleitoresRazões para as abstençõesPara analistas consultados pelo Metrópoles, motivos variados podem influenciar o eleitor a não comparecerem às urnas. O principal deles, contudo, pode ser explicados por fatores estruturais, como a dinâmica do processo eleitoral brasileiro, acessibilidade e até mesmo o contexto político que o país atravessa neste momento.No que diz aos fatores estruturais, os especialistas citam o fato do voto ser obrigatório no Brasil e com a imposição de sanção simbólica – como multa de R$ 3,51 para quem não comparece no dia da votação e não justifica a ausência. A facilidade do eleitor para justificar a referida ausência também pesa o aumento abstenção.“A Justiça Eleitoral disponibilizou aplicativos que possibilidade que você justifique o voto com maior facilidade. Basta abrir o aplicativo, ele identifica que vc está fora do seu domicílio eleitoral e ele permite que se justifique o voto por ali. Então reduziu-se os custos para que se não votasse enquanto o voto continua obrigatório”, avalia o professor do curso de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI).O terceiro, aponta Leandro Gabiati, é o envelhecimento do eleitorado — acima dos 70 anos, o voto passa a ser facultativo. Pesa ainda componente socioeconômico: no primeiro turno de 2022, 55% dos que se abstiveram tinham estudado apenas até o ensino fundamental, população mais pobre e com mais dificuldade para se deslocar até o local de votação.Mas além dos fatores estruturais, o docente da UFPI chama atenção para questões políticas que, neste ano, também podem influenciar nos índices de abstenção. O professor pontua que o país vive um momento de hiperpolarização entre “lulopetismo” e “bolsonarismo”, com um patamar estável de 20% de abstenções e outros 20% a 25% pulverizados na terceira via.“Numa eleição tão competitiva e com empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, as campanhas tentam trazer esse eleitor que está desiludido, que faz um cálculo de custo-benefício e acha que o voto não será decisivo“, diz.4 imagensFechar modal.1 de 4Lula em campanhaKEBEC NOGUEIRA /METRÓPOLES @kebecfotografo2 de 4Presidente Lula durante ato de campanha em Ceilândia (DF)KEBEC NOGUEIRA /METRÓPOLES @kebecfotografo3 de 4Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, em comício na Paulista, no 7 de SetembroRebeca Ligabue/Metrópoles4 de 4Flávio Bolsonaro na PaulistaSam Pancher/MetrópolesAbstenção X voto nuloÉ importante ressaltar ainda que há importantes distinção entre a abstenção e o voto nulo. Conforme define o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a abstenção é o termo usado para definir a não-participação do eleitor no ato de votar. Ou seja, é a contagem dos eleitores aptos e que faltaram na seção no dia da votação.O voto nulo, por outro lado, aquele em que o eleitor manifesta sua vontade de anular o voto. No caso do voto nulo, o eleitor precisa comparecer às urnas para manifestar o desejo de anular o voto.














