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Quando é acionado o 'circuit breaker' na Bolsa? E no dólar? Como funciona?
Quando é acionado o 'circuit breaker' na Bolsa? E no dólar? Como funciona? · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Mecanismo prevê interrupção temporária das negociações em momentos de fortes variações nas cotações

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Quando é acionado o 'circuit breaker' na Bolsa? E no dólar? Como funciona?
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Operador observa cotações da Bolsa num painel: variações bruscas acionam mecanismo para proteger o investidor — Foto: Michael Nagle/Bloomberg

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As negociações no mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira — de câmbio, Bolsa e juros — foram interrompidas várias vezes por um mecanismo conhecido como circuit breaker. Mas, afinal, o que é este dispositivo? Como ele funciona? Em que outras ocasiões já foi usado? E o que muda para o investidor?

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O circuit breaker é um mecanismo de segurança utilizado pelas Bolsas de Valores, como a B3, a Bolsa Brasileira, para suspender temporariamente as negociações em momentos atípicos. A ideia é que os investidores tenham tempo para rever suas estratégias e avaliar suas aplicações, diminuindo o pânico e o efeito manada nos mercados.

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Como funciona?

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Durante o acionamento do circuit breaker, não é possível realizar compras ou vendas de ativos

No mercado brasileiro de ações, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai ou sobe 10% ou mais, interrompendo as negociações por 30 minutos. Se as perdas ou ganhos chegarem a 15% após a retomada das operações, o mercado é suspenso por mais uma hora.

Se, depois dessas interrupções, houver então uma variação superior a 20%, a operadora da Bolsa, a B3, pode acionar novo circuit breaker determinando por quanto tempo as negociações devem permanecer suspensas.

Esse mecanismo se refere ao mercado à vista. No mercado futuro, A B3 ampliou, excepcionalmente nesta segunda-feira, de 10% para 15% o limite de queda do Ibovespa futuro e do mini-Ibovespa futuro em todos os vencimentos. Depois da abertura dos negócios, com a forte volatilidade, este limite foi ampliado para 20%.

A decisão ocorre após o resultado do segundo turno das eleições, com a reeleição de Lula após virada inédita contra Flávio Bolsonaro, que provoca uma liquidação de ativos brasileiros no exterior ainda pela madrugada. A medida é válida exclusivamente para esta segunda-feira.

Quando é acionado o 'circuit breaker' no dólar?

No câmbio, o circuit breaker na B3 prevê limite de 12,25%. E já foi acionado pelos menos duas vezes nesta manhã, quando o dólar superou R$ 5,60.

Também nas negociações de juros futuros na B3 houve acionamento de circuit breaker hoje.

Qual foi a última vez que o 'circuit breaker' foi acionado antes?

O circuit breaker foi instituído pela Bolsa de Nova York em 1987. A última vez que as ações brasileiras acionaram um mecanismo de circuit breaker foi no início de 2020, quando a pandemia de Covid-19 provocava turbulência nos mercados globais.

Na crise financeira global de 2008, o uso do mecanismo se tornou quase uma rotina no Brasil e no exterior. Antes , o país tinha permanecido quase dez anos sem qualquer ocorrência. Em 14 de janeiro de 1999, no ápice da maxidesvalorização do real e na véspera da adoção do câmbio livre no país, houve histeria no mercado.

Naquele dia, a então Bovespa, em apenas 12 minutos de negócios, caiu mais de 10%, acionando o circuit breaker . Enquanto o presidente interino do Banco Central, Francisco Lopes, explicava, em Brasília, as mudanças no câmbio, as bolsas europeias caíam mais de 5%.

O circuit breaker já havia sido acionado no dia anterior, quando o mercado financeiro viveu seu pior dia desde a decretação da moratória russa, em setembro de 1998.

A paralisação da negociação das ações, aliás, já havia ocorrido em plena crise da Rússia, primeiro, no dia 10 de setembro, quando os mercados viveram um dia de tensão. Tanto a Bolsa do Rio quanto a de São Paulo tiveram que acionar duas vezes o circuit breaker, fato que nunca tinha acontecido antes.

Crise asiática, a 1ª vez do Brasil

A primeira paralisação ocorreu quando a baixa chegou aos 10% e a segunda, aos 15%. Naquele dia, os mercados já abriram em queda e, desde o início da manhã, só fizeram cair.

O principal motivo foi a ação desastrosa do Banco Central (BC) na véspera, quando, após o fechamento das bolsas, não conseguiu vender, num leilão informal, títulos de sua emissão com taxas prefixadas e prazos curtíssimos.

Com isso, mostrou que poderia aumentar os juros. No dia 17 de setembro, o mecanismo voltou a ser utilizado.

As outras três vezes que o pregão das bolsas brasileiras foi interrompido por quedas superiores a 10% foi em 1997, durante a crise asiática : nos dias 28 de outubro (dia em que foi usado pela primeira vez), 7 de novembro e 12 de novembro.

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