Em entrevista exclusiva, Orkut Büyükkökten contou ao TechTudo detalhes sobre o novo website e falou sobre os planos para reconstruir a internet com foco em comunidades e conexões entre pessoas

O fundador da antiga rede social Orkut, o engenheiro Orkut Büyükkökten, concedeu uma entrevista exclusiva ao TechTudo para falar sobre o lançamento de um novo website e os próximos passos de seu projeto para a internet. A novidade faz parte de uma iniciativa que pretende recuperar alguns dos princípios que marcaram a antiga rede social, como comunidades, interesses em comum e conexões entre pessoas. O site (orkut.com) conta com uma petição para reunir apoiadores da iniciativa, e a ideia é alcançar um número significativo de interessados antes de avançar para o lançamento da nova rede social.

Em uma carta compartilhada com o TechTudo, Büyükkökten também voltou a criticar o funcionamento das redes sociais atuais e afirmou que pretende ajudar a "reconstruir a internet" com uma proposta mais centrada em pessoas reais. Confira, a seguir, o que o fundador do Orkut revelou sobre o novo projeto, relembre como funcionava a antiga rede social e veja o que Büyükkökten fez desde o fim da plataforma.

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Fundador do Orkut anuncia novo site e revela detalhes em entrevista; confira — Foto: Reprodução/TechTudo

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Índice

- Fundador do Orkut anuncia novo site

- Relembre como era o Orkut

- O que Orkut Büyükkökten fez nos últimos anos

1. Fundador do Orkut anuncia novo site

Orkut Büyükkökten colocou no ar um novo website que marca a primeira etapa de seu projeto para criar uma nova plataforma de relacionamento online. Em entrevista exclusiva ao TechTudo, o fundador da antiga rede social revelou detalhes sobre a iniciativa, que pretende reunir pessoas interessadas em uma forma diferente de viver as relações na internet.

O novo site apresenta a proposta do projeto e permite que os interessados assinem uma petição. A intenção é reunir pessoas que compartilham dessa visão para a internet e, a partir da adesão, avançar para a criação da nova plataforma.

A proposta de Büyükkökten é construir uma rede social menos dependente de algoritmos e mais voltada para a interação entre pessoas. Em vez de transformar o usuário em espectador de um feed que seleciona o que ele deve ver, a ideia é estimular uma participação mais ativa, com pessoas conversando, criando vínculos e formando comunidades a partir de interesses em comum.

O conceito retoma uma das características que marcaram o Orkut original. Na antiga rede social, comunidades reuniam usuários em torno de assuntos específicos e funcionavam como espaços de participação e troca — uma dinâmica que, na visão do fundador, acabou perdendo espaço nas plataformas atuais.
Büyükkökten critica justamente esse modelo. Para ele, as grandes redes sociais passaram a priorizar algoritmos e estratégias de engajamento, enquanto as conexões entre pessoas ficaram em segundo plano. A nova plataforma pretende inverter essa lógica e fazer com que o usuário deixe de ser apenas audiência para participar ativamente da comunidade.
A proposta também aparece na carta publicada recentemente pelo fundador, na qual ele afirma que quer "reconstruir a internet". Em um dos trechos, Büyükkökten resume sua visão sobre a diferença entre os dois modelos: "Num feed, você é plateia; numa comunidade, você é membro. Esse era o ponto".
2. Relembre como era o Orkut
O Orkut foi uma rede social criada em 2004 pelo engenheiro Orkut Büyükkökten e fez grande sucesso no Brasil. A plataforma reunia vários recursos bem famosos, como os scraps, depoimentos, comunidades, avaliações de perfil que fazem parte da memória de quem usou a comunidade virtual nos anos 2000.
Desde o lançamento, o Orkut chegou a mais de 300 milhões de usuários no mundo. No Brasil, a plataforma alcançou a marca de mais de 36 milhões de usuários. Com a proposta inicial de ser uma comunidade que reunisse pessoas com os mesmos interesses, a plataforma funcionava num programa do Google que comprou a rede social em 2008 e anunciou o fim dela em 2014.
Veja alguns recursos que marcaram o Orkut:
1. Scraps
Os scraps, uma abreviação de scrapbook, ou livro de recados, eram uma das formas de conversar na plataforma. Eles funcionavam como uma espécie de mural público, no qual os usuários trocavam mensagens curtas nos perfis uns dos outros, que podiam ser vistas por outras pessoas. Ali, era possível encontrar os mais diversos tipos de mensagens, desde felicitações de aniversário até recados carinhosos trocados entre amigos. Em alguns perfis, ter muitos scraps era sinal de popularidade.
A página de scraps do Orkut — Foto: Reprodução/TechTudo
2. Depoimentos
Já nos depoimentos era possível encontrar textos sobre o dono do perfil. As mensagens, geralmente, eram carinhosas e demonstravam afeto, amizade e declarações que podiam ser deixadas em destaque pelo usuário caso ele aprovasse.
Enviando depoimentos no Orkut — Foto: Reprodução/Teresa Furtado
3. Comunidades
As comunidades eram um dos recursos mais populares do Orkut. As páginas eram temáticas e reuniam grupos interessados em programas de TV, comportamento, artistas, hobbies e até frases inusitadas, como “Eu odeio as segundas-feiras”. Ali, os usuários abriam tópicos e respondiam às discussões, bem na dinâmica dos fóruns como conhecemos hoje.
A importância das comunidades também ficou evidente no anúncio do fim do Orkut. Na ocasião, o Google informou que o arquivo público da plataforma reunia cerca de 51 milhões de comunidades, 120 milhões de tópicos e mais de 1 bilhão de interações.
Ainda é possível apagar posts em comunidades do Orkut — Foto: Reprodução/Gabriel Ribeiro
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3. O que o Orkut fez nos últimos anos
O engenheiro e fundador da rede social, Orkut Büyükkökten, assumiu um papel relevante criticando o modelo de negócios de redes populares, como X (antigo Twitter) e Meta. Segundo o executivo, a lógica do engajamento, utilizado por essas plataformas, transformou as redes em armas perigosas para a sociedade.
Numa carta compartilhada exclusivamente para o TechTudo, Orkut destaca a estratégia usada por essas novas redes sociais que querem capturar atenção dos usuários a cada momento. Os feeds, atualmente, são construídos em torno do engajamento e não da conexão, como era a plataforma criada pelo turco. “Uma geração de crianças entregue a algoritmos que as viciaram, dividiram e as venderam para anunciantes. Não é de surpreender que tenham crescido solitárias e ansiosas”, desabafa Orkut.
Segundo o criador, as redes sociais perderam o senso de comunidade, encontrada na plataforma criada por ele. Por lá, era possível encontrar pessoas com interesses, problemas e hobbies em comum. “Num feed, você é plateia; numa comunidade, você é membro. Esse era o ponto”, continua o fundador da antiga rede social.
Depois do Orkut, o turco lançou a Hello Network, uma plataforma voltada para interação entre comunidades e interesse. O projeto ficou no ar por cerca de seis anos, encerrando as atividades em abril de 2022. Em novas entrevistas, Büyükkökten declarou que a experiência adquirida nessa rede social seria utilizada no novo projeto, que tem como foco as conexões e comunidades.
No ano passado, o empresário esteve no Voices 2025, um evento da Editora Globo sobre tecnologia, comportamento digital e inovação. Na apresentação, o fundador reforçou as suas críticas ao funcionamento atual das redes sociais e defendeu a necessidade de repensar como as pessoas se relacionam no ambiente digital. O empresário também propôs que as relações sejam menos baseadas em algoritmos e que esses espaços favoreçam a interação entre pessoas com interesses em comum.
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